terça-feira, 7 de junho de 2016

Choro canção














Pega teu coração na mão
Aperta até esmagar essas palavras
Que vomitam ordem aos teus medos
Junta a coragem que te resta
E não diga mais que vai ser sempre assim,
Pedaços dilacerados pelo chão
E vontades pisadas pela garganta muda
Será que sorrir sem memória
É melhor que viver de lembranças?
Pior ainda é saber,
Que de morrer de amor ninguém morre
Que o trabalho dignifica o homem
Mas a obrigação destrói o artista
Junta teus cacos
E engole o álcool num choro só canção
De manhã, pede mais noite no quarto
Que a lua amanhece com fome
Pois o tempo é aquele que diz sim
E aquele que diz não.

Ana Oliveira

quarta-feira, 25 de maio de 2016

O rubor da saudade



O êxito dos nossos desencontros
Provoca o desjejum da ausência
Que merece ficar à míngua de nós
Morrer vazia de obscenos abraços

Quanto à saudade, guarde para ela
O melhor canto da casa, da mala
Que de tão cheia de fome, avermelha
Face ao rubor da poesia que exala

Ao que toca o amor sem escudos
Um pouco de suspiro de seu bem
No corpo que esconde no escuro
A ânsia pelo tempo desse alguém


Ana Oliveira

quinta-feira, 19 de maio de 2016

¿Quién va...?




¿Quién puede compensar los dolores de la infancia?
¿Quién va a ablandar el pecho desgarrado por las noches de miedo y lloro?
¿Quién va a suportar convivir con sus fantasmas?
¿Quién va a querer compartir de la soledad?

Ya no puedo hacer lo mismo.

Mar Rubina

terça-feira, 17 de maio de 2016

Poeminha

Às vezes é o poema quem me escreve.


quinta-feira, 5 de maio de 2016

Alma desnuda


¡Razón! No enmudezca mi amor
¡Juicio! No acalle mi corazón
¡Pensamiento! Quieras solo sentir
Ayer vi mi alma desnuda
Hoy olvido tu nombre
Mañana no lo quiero perder

¡Deseo! No enloquezca mis sueños
¡Temblor! No gobierne mi cabeza
¡Nostalgia! Devuelva mis abrazos
Ayer olvidé tu nombre
Hoy no quiero perderme
Mañana veré tu alma desnuda

Ana Oliveira

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Camuflagem


Sombra deserta, deserdada
Pinta a poesia de palavras
Cresce em meu corpo, o mundo
Provoca a intimidade calada

Se enxerga letras no ar
São meus versos o que vês
Camuflados de melancolia
Fadados ao desmanchar

Mescla de terra e devir
Que o livro de cor entoa
Andaluz e pálido sentir
Que a alma se vive, voa...

Ana Oliveira

quarta-feira, 13 de abril de 2016

O abismo da flor


Ainda que acalme a dor
Do triste botão da rosa
Queria abrir-se em flor
Ser poesia, não prosa

Talvez o coração cansado
Da rosa sem fé, nem norte
Ficasse assim, enterrado
No abismo que lhe conforte

Ana Oliveira

Tolices





















Se depois de triste, alegre
E se de feliz, melancolia
A vida cospe a toda hora
Negando tudo que se queria

Se brinca de viver a verdade
Ainda assim não se mente
Esconde talvez a saudade
Que obriga o tempo da gente

Se a lua trouxesse tudo
O que se sonhou um dia
Seria o intento do desejo
O amor que se merecia

Ana Oliveira