já amei tanto e parece tão pouco
tenho medo de não amar do jeito que já amei
e vontade de amar de outro jeito também
o amor é um velho conhecido
que as vezes vira um rosto sem nome
não sei se ainda quero amar
mas morro só de pensar que não
A partir de hoje deixarei aqui registrados outros textos que venho desenvolvendo ao longo dos anos e gostaria de começar a compartilhar com vocês. São resenhas, ensaios e críticas literárias sobre os livros que leio. Espero que através deles possa aguçar sua vontade de lê-los.
Afinal, a literatura nada mais é além disso: o mundo!
Que falasse...
Seria trancafiado
Como louco
A taconear em pisos frios
De calabouços andaluzes
A telegrafia da terra
Seca e sovada
Feita do devir do barro
Em lágrimas
E depois pó
Fosse ele
E não a mente
De tão insano
Seria santo
Em duplo
A olhar as coisas
E dizê-las assim,
Sem trapacear
Num querer febril
E de abrir a boca
O coração cairia
Por terra e medo
Pisoteado pelo senso
Julgado e condenado
À esperteza
Disfarçada de bondade
Prato cheio, presa fácil
De língua cortada
Que de agora
Pra depois
Eu me começo
A pensar
Que se o coração
É quem dissesse
Era a mente
Quem amasse...
nosso bom dia que morreu
ao cair da tarde
levou também os cafés
e os ovos mexidos
levou a cara amassada
das noites que partiram
sem aviso prévio
levou o abraço da manhã
que não se sabia última
e por isso não tivera
um jeito de adeus
levou também os medos
mas trouxe as angústias
que são medos tristes
levou a canção das terças
sobre ficar bem pra cuidar mais
e o almoço dos domingos
atrasado mas cheio de risos
o bom dia que era nosso
agora vive no vazio das horas
que levaram os sonhos
as madrugadas e a paz
de estar em par
Roubo tuas palavras E as penduro em meus lábios Não suporto mesmo é não sentir Esse teu beijo-poema Nem saber como é viver sem Aquele que desordena Mas mantém a alma acordada
Robo las palabras tuyas
Y las colgo en mis lábios
No soporto mismo es no sentir
Eso beso bienvenido
Ni saber como es vivir sin
Aquel que desordena
Pero mantiene la alma despierta
Robo las palabras tuyas Y las colgo en mis lábios No soporto mismo es no sentir Ese dolor bienvenido De saber como es vivir sin Aquella que despedaza Pero mantiene la alma despierta
Las mariposas
(Tradução)
Roubo suas palavras E as penduro em meus lábios Não suporto mesmo é não sentir Essa dor bem-vida De saber como é viver sem Aquela que dilacera Mas mantém a alma acordada
a poesia é a dissecação da alma redenção mas também maldição acomete o poeta de palavras que adoece ao não cuspi-las é a cura do verbo e a ruína da carne