quinta-feira, 6 de julho de 2017

Encruzilhada















já amei tanto e parece tão pouco
tenho medo de não amar do jeito que já amei
e vontade de amar de outro jeito também
o amor é um velho conhecido
que as vezes vira um rosto sem nome
não sei se ainda quero amar
mas morro só de pensar que não

Ana Oliveira

Novidade!


Queridxos que acompanham meus escritos!

A partir de hoje deixarei aqui registrados outros textos que venho desenvolvendo ao longo dos anos e gostaria de começar a compartilhar com vocês. São resenhas, ensaios e críticas literárias sobre os livros que leio. Espero que através deles possa aguçar sua vontade de lê-los.

Afinal, a literatura nada mais é além disso: o mundo!

Beijos desordenados, mas ainda assim, beijos... ❤





domingo, 30 de abril de 2017

Nostalgie











Se fosse meu coração
Que falasse...
Seria trancafiado
Como louco
A taconear em pisos frios
De calabouços andaluzes
A telegrafia da terra
Seca e sovada
Feita do devir do barro
Em lágrimas
E depois pó

Fosse ele
E não a mente
De tão insano
Seria santo
Em duplo
A olhar as coisas
E dizê-las assim,
Sem trapacear
Num querer febril

E de abrir a boca
O coração cairia
Por terra e medo
Pisoteado pelo senso
Julgado e condenado
À esperteza
Disfarçada de bondade
Prato cheio, presa fácil
De língua cortada

Que de agora
Pra depois
Eu me começo
A pensar
Que se o coração
É quem dissesse
Era a mente
Quem amasse...


Jasmine Désir
(Barcelona, 1917)

segunda-feira, 27 de março de 2017

Para os bons dias mortos

nosso bom dia que morreu
ao cair da tarde
levou também os cafés
e os ovos mexidos
levou a cara amassada
das noites que partiram
sem aviso prévio
levou o abraço da manhã
que não se sabia última
e por isso não tivera
um jeito de adeus
levou também os medos
mas trouxe as angústias
que são medos tristes
levou a canção das terças
sobre ficar bem pra cuidar mais
e o almoço dos domingos
atrasado mas cheio de risos
o bom dia que era nosso
agora vive no vazio das horas
que levaram os sonhos
as madrugadas e a paz
de estar em par

Ana Oliveira

segunda-feira, 13 de março de 2017

Beijo-poema

Roubo tuas palavras
E as penduro em meus lábios
Não suporto mesmo é não sentir
Esse teu beijo-poema
Nem saber como é viver sem
Aquele que desordena
Mas mantém a alma acordada

Ana Oliveira


sexta-feira, 10 de março de 2017

Cuanto a los besos

Robo las palabras tuyas
Y las colgo en mis lábios
No soporto mismo es no sentir
Eso beso bienvenido
Ni saber como es vivir sin
Aquel que desordena
Pero mantiene la alma despierta

Cuanto al dolor


Robo las palabras tuyas
Y las colgo en mis lábios
No soporto mismo es no sentir
Ese dolor bienvenido
De saber como es vivir sin
Aquella que despedaza
Pero mantiene la alma despierta

Las mariposas

(Tradução)

Roubo suas palavras
E as penduro em meus lábios
Não suporto mesmo é não sentir
Essa dor bem-vida
De saber como é viver sem
Aquela que dilacera
Mas mantém a alma acordada

quinta-feira, 9 de março de 2017

Cadáver poético

a poesia é a dissecação da alma
redenção mas também maldição
acomete o poeta de palavras
que adoece ao não cuspi-las
é a cura do verbo
e a ruína da carne

Anna Poulain