segunda-feira, 12 de agosto de 2013

.tinta.

Si la mar fuera de tinta
y er sielo fuera papé,
no se podria escribir
lo mucho que es mi querer.

Si la mar fuera de tinta
y er sielo fuera papé,
no se podria escribir
lo mucho que es mi querer.

Si la mar fuera de tinta
y er sielo fuera papé,
no se podria escribir
lo mucho que es mi querer.

Yo te quiero más arróbas
que hojitas menea el aire,
que estreyitas tiene er sielo
y arenas tienen los mares.

Si la mar fuera de tinta
y er sielo fuera papé,
no se podria escribir
lo mucho que es mi querer.

Yo te estoy queriendo más
que arenas tienen los rios
y péses tiene la mar.

Yo te estoy queriendo más
que arenas tienen los rios
y péses tiene la mar.

Si en mi corasón entratas
y mis sentimientos bieras,
más satisfecho quedaras
y mucho más me quisieras.

Si la mar fuera de tinta
y er sielo fuera papé,
no se podria escribir
lo mucho que es mi querer.

Si la mar fuera de tinta
y er sielo fuera papé,
no se podria escribir
lo mucho que es mi querer.
(Faun)

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

.urubus.


cansados de sermos 
lindos
legais
perfeitos
obrigados a amar
a revidar
a competir
sujeitos a servir
vestir
agradar
só não podemos 
cansar
chutar
encher o balde, o saco, a lua

e assim somos todos farinha
alimento para urubus
fadigados pelo ter
obrigados a assistir
e esquecer...

(Anna Poulain)

terça-feira, 18 de junho de 2013

.sobre música.

.a música muda meu dia, meu humor, minha lástima, o peso da rotina, me tira de dentro da baleia, me avisa que mais tarde ainda é cedo, porque o tempo de um álbum é sempre menor do que o tempo que você quer que passe logo.
 .a música é bálsamo, alento e por isso aguento.
.aguento tudo que não gosto, pessoas hipócritas, acomodadas em sua ignorância, arrogantes, prepotentes, sem bom senso, sem noção do ridículo e principalmente:
 sem um bom ouvido.
(Anna Poulain)

domingo, 23 de dezembro de 2012

.ode ao mas.


.tem gente que diz que ama
mas só diz.

.diz que quer ver
mas só quer.

.que quer ir pra lua junto 
e blá blá blá...

.mas fica sentado no seu querer
e no seu mas.

(Anna Poulain)

segunda-feira, 20 de agosto de 2012


.nada é mais subversivo do que ser normal
ter refúgio na solidão voluntária e necessária
de que adianta ser feliz para sempre se é a falta que nos faz querer?
.sair de dentro e nunca mais voltar é de cortar
o fato só é feto uma vez
adiantasse anestesiar a alma
a calma, venderiam na feira.
precisamos de mais uísque, menos Lexotan,
muita cinta-liga e nenhuma hiprocrisia. 
(Anna Poulain)

.refúgio.




nada é mais subversivo do que ser normal
ter refúgio na solidão voluntária e necessária
de que adianta ser feliz para sempre se é a falta que nos faz querer?
sair de dentro e nunca mais voltar é de cortar
o fato só é feto uma vez
adiantasse anestesiar a alma
a calma, venderiam na feira.
precisamos de mais uísque, menos Lexotan, 
muita cinta-liga e nenhuma hipocrisia. 


Anna Poulain

domingo, 22 de julho de 2012

Languidez...


Tardes da minha terra, doce encanto,
Tardes duma pureza de açucenas,
Tardes de sonho, as tardes de novenas,
Tardes de Portugal, as tardes d’Anto,

Como eu vos quero e amo! Tanto! Tanto!…
Horas benditas, leves como penas,
Horas de fumo e cinza, horas serenas,
Minhas horas de dor em que eu sou santo!

Fecho as pálpebras roxas, quase pretas,
Que poisam sobre duas violetas,
Asas leves cansadas de voar…

E a minha boca tem uns beijos mudos…
E as minhas mãos, uns pálidos veludos,
Traçam gestos de sonho pelo ar…

(Florbela Espanca)

sexta-feira, 4 de maio de 2012

.moldura vazia.


moldura vazia
ali dentro não reconheço,
não desenho, não visito
esse espelho sem reflexo

impossível rabiscar,
trocar de cor,
tampouco posso apagar
esse estranho calabouço

preciso apenas de um resto
um fragmento de outrora
para transcender o cinza
que ora habita essa carne

(Anna Poulain)