domingo, 30 de abril de 2017

Nostalgie











Se fosse meu coração
Que falasse...
Seria trancafiado
Como louco
A taconear em pisos frios
De calabouços andaluzes
A telegrafia da terra
Seca e sovada
Feita do devir do barro
Em lágrimas
E depois pó

Fosse ele
E não a mente
De tão insano
Seria santo
Em duplo
A olhar as coisas
E dizê-las assim,
Sem trapacear
Num querer senil

E de abrir a boca
O coração cairia
Por terra e medo
Pisoteado pelo senso
Julgado e condenado
À esperteza
Disfarçada de bondade
Prato cheio, presa fácil
De língua cortada

Que de agora
Pra depois
Eu me começo
A pensar
Que se o coração
É quem dissesse
Era a mente
Quem amasse...


Jasmine Désir
(Barcelona, 1917)